domingo, 31 de dezembro de 2017

BALANÇO MUSICAL - Dezembro de 2017


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º (exceto hoje).

Dezembro chega e, com ele, vem o final do ano. 2017 chega ao fim com mais de 9 mil faixas escutadas, quase 700 artistas ouvidos e 1389 álbuns visitados (e revisitados), enquanto o mês se encerra como o segundo com mais canções executadas nos últimos doze (dados que podem ser conferidos em minha página do last.fm). Mas números não significam nada quando se trata de arte: o importante é gastar seu tempo com qualidade. E como esse último ano foi bom para se ouvir música, conhecer bandas e músicos, relembrar de outros e seguir expandindo meu limitado conhecimento sobre esse vasto e incrível universo, que segue se expandindo e revelando talentos incríveis, algo que torcemos para que nunca chegue ao fim.

E um dos meus maiores incentivos para isso tudo foi o Balanço Musical. A ideia de ter que elaborar playlists com uma faixa para cada dia me manteve sempre ouvindo alguma coisa, nem que fosse uma mísera música antes de o dia virar. Um grande desafio, mas nunca um fardo. Bolar as listas e essas postagens foi algo muito divertido, e uma das minhas tarefas favoritas relacionadas ao Ground Zero em 2017. Curiosamente, eu não fui o único: a resposta do público veio, e o projeto acabou fazendo bem mais sucesso do que eu esperava. Fica registrado aqui, então, o meu mais sincero obrigado a você que acompanhou as publicações nesses últimos 12 meses. Espero que tenha gostado do que viu aqui, se entretido com minhas escolhas e entrado em contato com algo diferente do habitual; se sim, meu objetivo principal foi cumprido.

Quanto a minha seleção para dezembro, não há muito a ser dito, já que ela foi baseada quase que inteiramente no que já havia ouvido no resto do ano. Boa parte das escolhas foi feita enquanto escrevia minhas postagens de Melhores de 2017: 5 álbuns do primeiro semestre de 2017 que você deveria ter ouvido, 5 álbuns do segundo semestre de 2017 que você deveria ter ouvido e o Top 15 álbuns de 2017 (+ Extras!). E as demais foram pegas de cada uma das outras playlists que fiz para o Balanço Musical, sendo representantes dos meses anteriores. A única exceção vai pra Kundalini Express do Love and Rockets, interessante grupo que apareceu em minhas Descobertas da Semana do Spotify, além da presença autoexplicativa de Thank God It's Christmas do Queen. E de novidade, é impossível não citar a trilha sonora de Star Wars: Os Últimos Jedi, que inclusive encerra a lista da mesma forma que o filme terminou: com uma mensagem de esperança para o futuro.

Assim se encerra o último Balanço Musical de 2017. Novamente, obrigado a você que acompanhou as postagens ao decorrer do ano. O projeto continuará em 2018, talvez com algumas novidades no formato, talvez permanecendo da mesma forma. Veremos.

Confira a playlist de dezembro de 2017:



CONFIRA TAMBÉM AS OUTRAS PUBLICAÇÕES DO BALANÇO MUSICAL EM 2017:

- Janeiro;

- Fevereiro;

- Março;

- Abril;

- Maio;

- Junho;

- Julho;

- Agosto;

- Setembro;

- Outubro;

- Novembro

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

[RESENHA] "Star Wars: Os Últimos Jedi" (2017)


Quando Star Wars: O Despertar da Força foi lançado em 2015, no meio de toda a calorosa (e lucrativa) recepção dos fãs e da crítica, houve quem o tenha criticado por suas similaridades com o primeiro longa da franquia, Episódio IV - Uma Nova Esperança (ou simplesmente Star Wars), e por não ter se arriscado tanto quanto o esperado. Hoje, passada toda a empolgação, tais críticas soam válidas, mas, dado o contexto do lançamento do filme, há motivos válidos, tanto criativamente quanto comercialmente, para ele ser o que é. No fim, jogar seguro se mostrou uma escolha acertada, o Episódio VII foi um sucesso e cumpriu sua missão de retornar a saga a sua antiga glória.

Star Wars: Os Últimos Jedi, porém, é um filme que não joga seguro.

O final de O Despertar da Força aparentava ter deixado alguns pontos pré-estabelecidos para o enredo de sua sequência, como um treinamento para Rey e Kylo Ren, um novo enfrentamento entre eles ao final, uma grande aventura para Poe Dameron e Finn, um crescimento da Resistência como oposição à Primeira Ordem e um retorno triunfal para Luke Skywalker. Não parecia haver como fugir muito disso. Mas o roteirista e diretor Rian Johnson conseguiu se desvincilhar desses elementos característicos da clássica jornada do herói e levar seu filme para outros caminhos menos previsíveis.

Toda a trama do longa-metragem se desenvolve a partir de um único e claro tema: fracasso. Cada um dos personagens principais possui um arco que o aborda a sua própria maneira, mas todos eles crescem após a experiência. Outros assuntos também são abordados no decorrer da história (como legado, maturidade, confiança, heroísmo, sacrifício próprio, esperança e identidade) e dão mais profundidade a seus protagonistas, sobrando espaço ainda para pontuadas críticas sociais, exploração do espectro cinza da Galáxia Muito Distante e viradas de roteiro o suficiente para nos deixar sem perspectivas sobre o que esperar no vindouro desfecho dessa nova trilogia.

O principal mérito de Johnson é, em meio a isso tudo, ter levado os personagens a jornadas pouco convencionais (sem fugir da principal temática do filme) que mudam nossas percepções sobre eles, sejam os mais recentes Rey, Finn, Poe Dameron e Kylo Ren (até o droide BB-8, por que não?), sejam os veteranos Luke Skywalker e Leia Organa. E mexer com ícones tão queridos da cultura pop sempre é arriscado, mas é justamente onde reside o valor da decisão, tanto pela coragem quanto por seu desenvolvimento. Cada escolha foi calculada, trabalhada e faz jus ao histórico de cada um deles. Os rumos que tomam, por sua vez, subvertem as expectativas, mas também é algo que faz sentido, ainda que alguns elementos tenham que ser sacrificados ou que certos coadjuvantes apareçam (ao menos por enquanto) como meros recursos narrativos.

São poucos os blockbusters que oferecem uma fotografia tão bela quanto a que vemos durante a Batalha de Crait.

É notável também o cuidado do diretor com a parte visual de Os Últimos Jedi. Rian Johnson e sua equipe se preocuparam em criar um filme com uma estética única e marcante, mas que ao mesmo tempo se encaixa dentro da franquia. O resultado disso pode ser conferido em momentos como a batalha espacial do início, todas as cenas em Ahch-To (onde Luke se encontra), as sequências em Canto Bight e na Sala do Trono de Snoke, naquela parte silenciosa e durante o confronto em Crait. Aliás, é importante ressaltar que, tal qual O Despertar da Força, esta sequência se preocupa em equilibrar o uso de efeitos especiais em computação gráfica com os práticos, algo perceptível especialmente para um certo personagem.

Mas muito do que foi apontado até agora não seria possível sem o trabalho desenvolvido pelos atores. Provavelmente o longa mais bem-atuado da saga, o elenco impressiona por sua qualidade, intensidade e dedicação. Para aqueles que criticaram Mark Hamill nos tempos da Trilogia Clássica, aqui ele entrega um Luke Skywalker como nunca visto antes, mostrando todo seu talento e a técnica que adquiriu pós Retorno de Jedi (especialmente em seus papéis como dublador). Carrie Fisher também se mostra melhor do que nunca como Leia, o que só torna seu falecimento há exatamente 1 ano ainda mais dolorido. Os mais novos também surpreendem, com Daisy Ridley apresentando uma gritante evolução em comparação a seu já ótimo desempenho no filme anterior, Adam Driver explorando toda a suavidade e brutalidade de Kylo Ren, John Boyega amadurecendo sua interpretação e Oscar Isaac mostrando por que é um dos destaques de uma nova geração que desponta em Hollywood.

E não dá para falar sobre Star Wars sem comentar, é claro, da trilha sonora. John Williams retorna às composições para este oitavo episódio e mais uma vez mostra que não é considerado um dos grandes gênios da função a toa. Embora ainda ache que faltam mais faixas marcantes para essa atual trilogia (assim como era nas outras duas), é inegável a qualidade das músicas presentes no filme, que fazem uso de temas antigos e novos de forma criativa e conseguem intensificar ainda mais o que se passa na tela, contrastando momentos belíssimos com outros de pura adrenalina e dando um tom mais do que adequado para a aventura.

Há muito mais a ser dito sobre Star Wars: Os Últimos Jedi, seja a respeito de seu humor peculiar (algo que beira S.O.S. - Tem um louco solto no espaço, vulgo Spaceballs, de tão paródico) ou de alguns detalhes essenciais à história, e isso só comprova sua riqueza como realização cinematográfica. O que mais importa, porém, é que Rian Johnson conseguiu fazer do longa uma experiência própria dentro desse tão explorado Universo, seja pelo rumo para o qual levou a trama, por seu cuidado visual ou pela quebra de convenções e expectativas, abrindo espaço para novas e diversas possibilidades em um futuro próximo. Um filme que, tal qual um jogador do cassino em Canto Bight, aposta tudo o que tem de forma arriscada, mas consciente. E, pelo resultado, valeu a pena.

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

"Doutor, eu te deixo ir" - A resenha do episódio "Twice Upon a Time" de Doctor Who (Especial de Natal, 2017)


E então, aconteceu. Após 4 anos, a última história do 12º Doutor, magistralmente interpretado por Peter Capaldi, foi contada. Com uma 10ª temporada marcada por sua consistência, assim como por sua qualidade e pelo tom de despedida do ator de um personagem que ele ama desde sua infância, a expectativa pelo episódio especial de Natal (que já é uma tradição para a série) de 2017 era enorme, especialmente com o gancho deixado em The Doctor Falls, em que a encarnação atual do protagonista se encontrou com sua primeira versão, aqui trazida a vida por David Bradley, reprisando sua forma de homenagear o falecido William Hartnell.

Também marcando a despedida do showrunner e roteirista Steven Moffat, Twice Upon a Time encerra seu ciclo a frente da série de forma digna e bela, com uma trama que não poupa esforços para usar-se do emocional, mas que também sabe trabalhar a relação entre o primeiro e o último (até então) dos Doutores e suas funções no Universo, seus medos e suas importâncias. A química entre Capaldi e Bradley existe, e ver o 12º Doutor censurando as falas machistas do 1º (um reflexo de seu tempo e da época em que o programa foi criado) é impagável e muito bem-vindo, especialmente após todo o engajamento social visto nessa última temporada.

O enredo do episódio destaca-se ainda por fugir um pouco do maniqueísmo, com uma reviravolta que mostra que a ameaça enfrentada pelo Doutor não é exatamente o que ele estava pensando. Há também um interessante dilema moral que marca a presença do personagem de Mark Gatiss na história, além de usá-lo como ponte para alguns velhos conhecidos dos fãs. E falando em velhos conhecidos, o retorno dos companions dessa versão do personagem vivida por Capaldi é de tocar o coração dos Whovians, especialmente devido ao significado de suas presenças dentro do roteiro, aliado à importância do momento.

Twice Upon a Time encerra-se com o que o 12º Doutor soube fazer de melhor desde 2014: um monólogo, recheado das mais belas mensagens e conselhos sobre amor, gentileza e benevolência, como se estivesse passando ensinamentos para sua sucessora. E essas últimas palavras representam tudo o que Steven Moffat quis que o personagem representasse em sua estadia no comando de Doctor Who, desejo este que viu a luz pelas interpretações de Matt Smith e, mais ainda, de Peter Capaldi. Chega ao fim uma era que, embora controversa entre alguns fãs, certamente marcou época, e foi concluída de forma brilhante.

E BEM-VINDOS, CHRIS CHIBNALL E JODIE WHITTAKER! Mal posso esperar para poder conferir suas aventuras como a 13ª Doutora (especialmente após o final deste episódio)!

A primeira imagem oficial de Jodie Whittaker como a 13ª Doutora. Amei demais a caracterização!

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

[RESENHA] "Bright" (2017)


Em 2016, tanto o diretor David Ayer quanto o astro Will Smith sofreram um baque com a recepção crítica de Esquadrão Suicida, uma adaptação que parecia promissora, mas no fim mostrou-se uma gritante bagunça e acabou sendo massacrada pelos veículos especializados. Posteriormente, vieram a tona todos os problemas e interferências da Warner no filme, algo que fez com que Ayer demonstrasse reiteradas vezes sua insatisfação e deixasse sua relação com o estúdio estremecida. Para recuperar-se da situação, ele precisava encontrar uma nova casa e desenvolver um novo projeto.

É desse cenário que surgiu Bright, lançamento da Netflix que estreia nessa sexta-feira (22) e que teve uma exibição antecipada exclusiva na Comic-Con Experience de 2017. Marcando a segunda colaboração entre Smith e Ayer, co-estrelando Joel Edgerton e com roteiros de Max Landis (de Poder Sem Limites), o longa se propõe a misturar fantasia e a realidade das ruas em uma trama de dupla policial, formada por um humano e um Orc, espécie esta marginalizada pela sociedade.

Um impressionante trabalho de maquiagem e efeitos especiais decentes marcam a qualidade técnica do filme, que também possui uma fotografia característica de outras obras voltadas ao drama policial, assim como uma trilha sonora adequada para seu clima urbano-periférico. A parceria entre Will Smith e Edgerton também funciona, com a dupla mostrando um entrosamento natural e carisma que basicamente guiam a produção por suas quase duas horas de duração.

Mas os destaques param por aí. Bright não tem nada de novo a oferecer para nenhum dos gêneros que aborda. O filme sofre de um claro problema de identidade ao tentar combinar elementos do fantástico com críticas sociais e a trama policial, não se decidindo qual deles abordar, ou até mesmo qual mensagem pretende passar, e acaba por falhar miseravelmente nos três (tendo um pouco mais de sucesso no terceiro). O preconceito dos humanos direcionado aos Orcs é pouco sentido e abordado apenas de forma superficial, enquanto o universo mágico retratado passa longe de atingir seu potencial, apresentando poucas espécies ou elementos que poderiam caracterizá-lo.

Tais falhas acabam por serem refletidas no restante do desenvolvimento do enredo. A má definição de sua fantasia faz com que o longa apresente incoerências referentes a seus seres, às magias que são mostradas e até mesmo a profecias, que surgem repentinamente quando lhes é conveniente. Os personagens, tirando a dupla de protagonistas, também não são nada convincentes, sejam os coadjuvantes e suas motivações infundadas, sejam os vilões e a inexpressividade do grupo, que nunca faz-se sentir uma ameaça e também não possui uma explicação satisfatória para sua presença na história.

Novas ideias e mistura de gêneros para criar algo diferente sempre são bem-vindas, e é o que Bright tentou. Mas passou longe de ter sucesso, seja devido a sua esquizofrenia ao não definir seu foco, pelo mau desenvolvimento de seus elementos-chave e pela falta de personagens marcantes. Mesmo tendo sucesso em sua parte técnica e estabelecendo uma boa conexão entre seus protagonistas, a sensação que o filme deixa é de uma oportunidade perdida, algo que poderia ser evitado por um maior cuidado com o roteiro e a abordagem de seus principais pontos. O fato é que ainda vai demorar um pouco para que a parceria entre Will Smith e David Ayer renda um bom resultado.

TRAILER:

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

É HORA DOS MELHORES DO ANO, GALERA!!! (Top 15 álbuns de 2017 + Extras!)

essas feras aí meu, brincadeira bicho

É finalmente chegada a hora de mais uma lista de Melhores Álbuns do Ano! Essa já tradicional postagem aqui do Ground Zero chega a sua quinta edição, tendo se iniciado lá em 2013 e já havendo passado pelas mais diversas incarnações, com mudanças no número de indicações no decorrer do tempo e a inclusão e exclusão de alguns do famigerados extras que costumo incluir nos textos. E devo dizer: isso provavelmente vai continuar acontecendo, mas essa é a beleza destes posts, que se adaptam conforme a necessidade para cada ano.

Para 2017, além das duas publicações que serviram como um prelúdio para este Top (as quais você já deve ter lido, mas que estão linkadas ao fim desta postagem para os desavisados), resolvi retornar com o número de 15 escolhas para ilustrar o que houve de melhor no período. E os artistas se mostraram inspirados nesse ano, até porque não faltou material para influenciá-los. Seja pela mera sonoridade ou o conteúdo lírico, o fato é que os álbuns selecionados estão aqui por terem algo diferente a oferecer. Separá-los e elencá-os não foi uma tarefa fácil, mas acredito que o resultado final seja um bom reflexo de meus sentimentos ao ouvir cada um desses trabalhos. 

Então, vamos conhecer quais foram os 15 Melhores Álbuns de 2017 (e mais alguns extras na sequência):

#15: PROPHETS OF RAGE - "PROPHETS OF RAGE"


A união de músicos do Rage Against the Machine, Public Enemy e Cypress Hill marcou sua estreia nesse ano com o autointitulado Prophets of Rage, um álbum agressivo e de forte viés político, algo que não é nenhuma novidade para os membros do grupo. Com um Tom Morello inspirado e letras abertamente direcionadas, trata-se de uma resposta (bem-vinda e necessária) à situação dos EUA e, por que não, do mundo na atualidade.

#14: QUEENS OF THE STONE AGE - "VILLAINS"


Como uma espécie de atestado da inquietude e criatividade de Josh Homme, o mais recente trabalho do Queens of the Stone Age se afasta do que já foi explorado pelo grupo e apresenta uma sonoridade renovada, mas que ainda mantém suas principais características. Villains consegue ser belo, dançante e estranho em seus variados momentos, sem perder a qualidade ao explorar suas nuances. Uma ótima adição ao rol de melhores do quarteto.

#13: ARCADE FIRE - "EVERYTHING NOW"


Talvez a idolatria em torno do Arcade Fire tenha crescido além do cabível nos últimos anos, mas é inegável que eles seguem fazendo música como poucos atualmente. Everything Now é mais um atestado da qualidade do grupo, que segue o estilo adotado em Reflektor e faz, entre outras coisas, críticas explícitas à contemporaneidade. Apesar de o meio do álbum não ser tão marcante, seu início e seu desfecho são compostos de músicas tão incríveis que são o suficiente para garantir sua presença na lista.

#12: ROBERT PLANT - "CARRY FIRE"


O lendário ex-vocalista do Led Zeppelin apresentou em 2017 um registro que mais parece uma grande celebração de sua carreira, com passagens que abrangem desde o Rock que o consagrou com sua antiga banda até músicas com forte influência oriental, indo do expansivo ao intimista em seus quase 50 minutos de duração. E sua voz, mesmo envelhecida, segue sendo uma das mais distintas do meio musical, mais um dos motivos que tornam Carry Fire tão especial.

#11: SONS OF APOLLO - "PSYCHOTIC SYMPHONY"


Desde sua saída do Dream Theater, o baterista Mike Portnoy se envolveu com diversos supergrupos e projetos, estando o Adrenaline Mob e The Winery Dogs entre os de maior destaque. A empreitada da vez foi unir-se ao guitarrista Ron Thal, o vocalista Jeff Scott Soto, o baixista Billy Sheehan e o tecladista Derek Sherinian, um grupo de virtuosos em suas funções, e formar o Sons of Apollo, que já em sua estreia mostra seu potencial. Psychotic Symphony é um disco de Metal Progressivo com influências de Hard Rock que evidencia todas as qualidades de seus membros, que não se deixam levar pelo ego e fazem o conjunto funcionar com maestria. Um prato cheio para os fãs do gênero e dos músicos, especialmente para aqueles que sentiram falta de ouvir Portnoy tocando o estilo que o consagrou.

#10: MR. BIG - "DEFYING GRAVITY"


O Mr. Big surpreendeu a todos nesse ano ao anunciar o lançamento de um novo álbum, especialmente após Pat Torpey ter sido diagnosticado com o Mal de Parkinson em 2014. Mas o grupo soube superar a adversidade em Defying Gravity ao deixar seu baterista como supervisor (além de participar até onde sua condição o permitisse) e chamando Matt Starr para a função, de modo que a essência do quarteto foi mantida e o trabalho, como de costume, teve um resultado muito acima da média, apresentando um Hard Rock criativo e envolvente com a inconfundível assinatura da banda.

#9: LIAM GALLAGHER - "AS YOU WERE"


Após ter um relativo sucesso com os dois mornos registros do Beady Eye, Liam Gallagher resolveu se afastar um pouco do mundo da música, até retornar nesse ano com o anúncio do lançamento de seu primeiro disco solo. E o ex-vocalista do Oasis conseguiu chegar a um resultado muito mais autêntico e convidativo do que suas tentativas anteriores, sendo As You Were um trabalho conciso e muito prazeroso de se ouvir, resgatando o delicioso Britpop popularizado por seu antigo grupo e adequando-o à atualidade.

#8: THE AFGHAN WHIGS - "IN SPADES"


Conheci o Afghan Whigs apenas no começo desse ano, através do clássico Gentlemen, lançado em 1993. Um dos principais nomes do Rock Alternativo na Inglaterra durante a década de 1990, o grupo estava separado oficialmente desde 2001, tendo retornado em 2014. In Spades já é o segundo álbum da banda desde então, possuindo uma sonoridade que pode causar estranheza ao começo, mas que basta se acostumar para perceber toda a beleza e o intimismo que tem a oferecer. Uma das mais gratas descobertas de 2017, sem dúvidas.

#7: NOEL GALLAGHER'S HIGH FLYING BIRDS - "WHO BUILT THE MOON?"


Se Liam Gallagher resolveu resgatar a sonoridade que o consagrou no passado para obter êxito em sua estreia solo, seu irmão fez o oposto. Noel Gallagher alcança um novo patamar com seu grupo solo em Who Built the Moon?, um trabalho com o propósito de fazer o artista fugir do convencional e investir em uma variedade de estilos para suas músicas. Audacioso, pode afugentar os fãs a uma primeira ouvida, mas aqueles persistentes o suficiente são presenteados com a percepção de mais um ótimo trabalho do guitarrista.

#6: ANATHEMA - "THE OPTIMIST"


The Optimist não é um álbum para ser ouvido a qualquer momento (no ônibus ou no trabalho, por exemplo), você precisa estar em um determinado estado de espírito e, de preferência, em um ambiente mais calmo para desfrutá-lo por completo. Quando consegue, porém, é uma experiência que vale cada segundo. Um dos melhores e mais intimistas registros do conjunto, que consegue equilibrar melodia e pitadas de agressividade sempre que necessário, em um resultado único e belíssimo.

#5: ROGER WATERS - "IS THIS THE LIFE WE REALLY WANT?"


Depois de anos afastado do Rock, Roger Waters está de volta ao gênero que o consagrou como artista, com um trabalho a altura de seus melhores momentos. Desde sempre o mais politizado dentre os ex-membros do Pink Floyd, o músico consegue combinar toda a agressividade e insatisfação em relação ao mundo atual presente nas letras com seu senso melódico ímpar, entregando um disco que ao mesmo tempo encanta e revolta. Um manifesto mais do que necessário para a época em que vivemos.

#4: THE WAR ON DRUGS - "A DEEPER UNDERSTANDING"


Poucos artistas conseguem passar a sensação de serenidade e calmaria tão bem quanto Adam Granduciel, a grande mente por trás do The War on Drugs, consegue com A Deeper Understanding. Descrever o quão tocante é ouvir esse álbum é uma tarefa árdua, tamanha a sensibilidade de cada uma das canções que o compõe. E é assim que o grupo se consolida como um dos melhores e mais distintos da atualidade.

#3: TRIVIUM - "THE SIN AND THE SENTENCE"


O currículo do Trivium até o momento é invejável. A discografia do grupo beira o impecável, ao mesmo tempo em que eles nunca tiveram medo de mudar seu estilo, um dos motivos que fazem de seus trabalhos tão atraentes. Unindo a maturidade alcançada em Silence in the Snow com a agressividade e modernidade dos tempos de Shogun, a banda entrega em The Sin and the Sentence um de seus mais fortes e concisos trabalhos, o melhor do que o Metal teve a oferecer em 2017.

#2: THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - "AMBER GALACTIC"


Surgido da união entre membros do Soilwork e do Arch Enemy, o Night Flight Orchestra vai no sentido oposto do som feito por esses grupos e aposta no Rock de Arena, no melhor estilo de Journey, Kansas, Queen, Foreigner e Boston. Amber Galactic, terceiro lançamento da banda, coroa seu trabalho como uma das mais legais e interessantes da atualidade, graças a sua sonoridade divertida, grudenta e envolvente, feita com o máximo de competência e que resulta em um registro apaixonante, daqueles que não dá vontade de parar de ouvir.

#1: STONE SOUR - "HYDROGRAD"


Não apenas o álbum que mais gostei, mas também o que mais escutei de 2017. O Stone Sour atingiu um novo patamar com seu melhor e mais diversificado registro, dosando peso e melodia de forma impecável e oferecendo algumas das mais marcantes músicas do ano. Não há pontos fracos em Hydrograd, com destaque criatividade e performance de Corey Taylor, uma das melhores de sua já consagrada carreira. Um disco que sabe quando oferecer agressividade, quando ser tocante, quando ser experimental e como ser bom do primeiro ao último segundo, um verdadeiro deleite auditivo.

MENÇÕES HONROSAS:

DAVID BOWIE - NO PLAN


Um EP póstumo de Bowie contendo Lazarus e mais três ótimas músicas que não haviam sido lançadas anteriormente, marcando em definitivo a despedida desse inestimável gênio.

HALESTORM - REANIMATE 3.0: THE COVERS EP


O terceiro EP de covers do Halestorm, contendo boas e interessantes versões de clássicos do Metallica, Whitesnake, Joan Jett e Soundgarden, assim como para músicas da Sophie B. Hawkings e do Twenty One Pilots.

MASTODON - COLD DARK PLACE


Uma reunião de quatro músicas não utilizadas nos últimos dois lançamentos do Mastodon, curiosamente conseguiu ser melhor do que o mais recente trabalho do grupo, Emperor of Sand.

GUARDIANS OF THE GALAXY VOL.2: AWESOME MIX VOL. 2


A trilha sonora do segundo longa dos Guardiões da Galáxia está tão boa quanto a de seu antecessor, resgatando uma ainda mais abrangente variedade de músicas das décadas de 1960 e 1970, e ainda contando com a maravilhosa canção original Guardians Inferno, que possui o melhor clipe da história.

BABY DRIVER: MUSIC FROM THE MOTION PICTURE


A trilha sonora que conduz Em Ritmo de Fuga é ainda mais variada e empolgante que a de Guardiões da Galáxia Vol. 2, denotando um trabalho de mestre por Edgar Wright na escolha de cada uma delas.

ATOMIC BLONDE: ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK


Uma das grandes surpresas do ano possui uma trilha sonora tão empolgante quanto sua ação, cheia de clássicos dos anos 1980 que ditam seu ritmo frenético e situam o espectador na Berlim pré-queda do Muro.

BLADE RUNNER 2049: ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK


Apesar de inferior à obra-prima composta pelo Vangelis para o longa original, Blade Runner 2049 também obteve uma marcante trilha sonora pelas mãos do mestre Hans Zimmer, com faixas que variam entre a sensibilidade necessária para muitos dos momentos do filme e gritante urgência de outros.

THOR RAGNAROK: ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK


O terceiro filme do Deus do Trovão também foi marcado por uma das mais diferenciadas trilhas sonoras de todos os filmes da Marvel, composta por Mark Mothersbaugh, principal nome do DEVO, e que mescla o épico com o eletrônico oitentista.

STAR WARS - THE LAST JEDI: ORIGINAL MOTION PICTURE SOUNDTRACK


Embora siga sendo menos marcante do que seus trabalhos anteriores para a saga, a trilha de John Williams para o oitavo longa de Star Wars é tão intensa quanto o próprio filme, apresentando alguns novos temas, resgatando alguns dos mais antigos e fazendo bom uso daqueles apresentados em O Despertar da Força.

AS 25 MELHORES MÚSICAS DE 2017:

Para facilitar a vida de quem se interessou por algum dos 25 álbuns que falei aqui neste post ou nas outras duas publicações que o antecederam, resolvi separar uma música de cada um deles em uma playlist, que pode ser conferida abaixo:



E esses foram os grandes destaques da música em 2017! Até ano que vem!

CONFIRA TAMBÉM:

- 5 álbuns do primeiro semestre de 2017 que você deveria ter ouvido e 5 álbuns do segundo semestre de 2017 que você deveria ter ouvido;

É HORA DOS MELHORES (discos) DO ANO, GALERA!!! (Top 21 + Extras!)

Top 15 Álbuns de 2015 (& Extras) + Top 10 Músicas do Ano!

Top 10 Álbuns de 2014 (+ Extras!) e 10 discos lançados nesse ano que você precisa conferir: um prelúdio ao Top 10 2014

Top 10 Álbuns de 2013

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A resenha sobre "Star Wars: Os Últimos Jedi" não saíra tão cedo


Já virou costume: sempre que eu assisto a um filme nos cinemas, dou um jeito de escrever sobre ele aqui no Ground Zero. Resenha de um parágrafo, resenha completa, análise com spoiler ou, como foi o caso de Bingo: O Rei das Manhãs, um texto reconhecendo minha incapacidade de acrescentar qualquer coisa que não havia sido dita pelos escritores de sites especializados (muito mais competentes do que eu, diga-se de passagem). De qualquer modo, sempre é uma atividade criativa e opinativa, e os esforços para tomar uma posição de modo tão rápido e frequente me fizeram refinar meu olhar sobre os longas com o passar do tempo.

E eu planejava fazer o mesmo com Star Wars: Os Últimos Jedi. Mas não vai acontecer tão cedo.

Assisti ao segundo episódio da nova trilogia da franquia na última noite, e eu mantenho meus sentimentos desde o segundo em que foram exibidos os créditos finais. Até agora eu não sei o que falar sobre o filme, ou pensar, e muito menos sintetizar um texto em minha mente e postá-lo aqui. Essa foi a experiência mais diferente e inesperada que tive com a saga ao longo de quase uma vida como fã, e o impacto foi tão grande que acredito que demorará dias (talvez até semanas) para que eu consiga digerir por completo o que testemunhei na tela do cinema nesse último dia 14/12.

Então não, não acredito que a resenha sobre Episódio VIII venha a sair tão em breve. Por isso, meu melhor conselho no momento é: vão ao cinema, vivam esse longa em suas 2:30h de duração e tirem suas próprias conclusões. Independentemente de qual ela for.

Mas não desistam da resenha. Ela sairá, apenas demorará um pouco mais que o habitual. E quando sair, cara... Vai ser linda. Então aguardem.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

5 álbuns do segundo semestre de 2017 que você deveria ter ouvido


Antes de mais nada, gostaria de dizer que a postagem que abriu essa temporada de melhores do ano aqui no Ground Zero alcançou mais pessoas do que eu esperava. Aparentemente, posts sobre música fazem bastante sucesso por aqui (algo que eu já deveria ter notado com o Balanço Musical no decorrer do ano), então fiquem atentos, pois pretendo dar ainda mais espaço para o assunto no blog em 2018.

E depois de conferir 5 álbuns do primeiro semestre de 2017 que você deveria ter ouvido, agora é hora de ver outras 5 novidades que a segunda metade do ano nos trouxe. Se você ainda não viu o texto, leia-o e entenda exatamente o que está acontecendo aqui. E se você já leu, melhor ainda, assim podemos pular todas as introduções e ir direto para as escolhas! Confesso que tive menos opções para montar esta postagem, mas não pelos últimos seis meses terem sido mais fracos que os anteriores, e sim porque a maior parte dos lançamentos que ouvi no período acabaram indo parar no Top do ano. Pois é.

Confira, então, quais são esses 5 álbuns do segundo semestre de 2017 que você deveria ter ouvido:

BECK - "COLORS"


Um dos principais nomes do Rock Alternativo dos anos 1990 e 2000 resolveu mudar um pouco de ares neste ano. Colors é um trabalho completamente diferente de tudo o que Beck já havia feito, abraçando o pop dançante de uma forma muito competente e criativa que resulta em um registro prazeroso, divertido e repleto de potenciais hits, algo que já é uma realidade para a faixa Dreams, lançada em 2015 e que veio a se tornar parte da trilha sonora de FIFA 16.

FOO FIGHTERS - "CONCRETE AND GOLD"


A expectativa sempre é alta quando se trata do Foo Fighters, uma das principais bandas da atualidade, e Concrete and Gold consegue corresponder aos anseios dos fãs. Embora tenha alguns momentos melhores do que outros, é um disco honesto, direto e repleto de energia, tendo uma boa quantia de músicas agradáveis de se ouvir, desde mais agressivas como Run a outras cadenciadas como Sunday Rain (que conta com a participação de Paul McCartney na bateria). Não é o melhor trabalho do grupo (Wasting Light segue incomparável), mas tem qualidade o suficiente para merecer destaque.

HONEYMOON DISEASE - "PART HUMAN, MOSTLY BEAST"


Praticamente desconhecida, essa banda sueca é mais uma das que segue o movimento de ressurreição do Hard Rock setentista. Part Human, Mostly Beast é apenas seu segundo trabalho, mas o grupo se diferencia pela qualidade de seu som, tendo identidade e muita qualidade por parte de seus membros. Um CD divertido e bom de se ouvir, recomendado para quem procura por novos talentos que tenham uma sonoridade mais voltada para os clássicos do estilo.

 THE KILLERS - "WONDERFUL WONDERFUL"


Após 5 anos desde o lançamento de Battleborn, o grupo encabeçado por Brandon Flowers retorna com um álbum diferente de seus quatro antecessores, apostando em um som mais oitentista em detrimento do Indie Rock que fez sua fama. Mas Wonderful Wonderful é muito gostoso de se ouvir, tendo até seus momentos mais intimistas mesclados com outros mais dançantes e resultando em mais um sólido registro do Killers.

VANDENBERG'S MOONKINGS - "MK II"


Já tendo aparecido na postagem que fiz em 2014, o Vandenberg's Moonkings retorna à lista prévia ao Top do ano com mais um competente disco. MK II segue a linha da estreia da banda mais uma vez oferece um Hard Rock de qualidade, algo já esperado de qualquer coisa vinda do guitarrista Adrian Vandenberg, ex-Whitesnake e cabeça o projeito, estando ainda mais afiado e oferecendo diversas faixas envolventes.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Liga da Justiça merecia mais.


Há três semanas, estava saindo empolgado da sessão da pré-estreia de Liga da Justiça e prestes a postar aquela que veio a ser a primeira resenha mundial do longa (acho que nunca vou parar de me gabar sobre isso). A emoção de ver os principais medalhões da DC em tela era grande, e o recente sucesso de Mulher-Maravilha no meio deste ano me fez crer ainda mais que as adaptações da editora vinham trilhando o caminho certo.

Após todos esses dias e tendo-o visto novamente na segunda-feira seguinte a seu lançamento, minha opinião pouco mudou: ainda o considero um bom filme, muito graças às representações de seus heróis e suas interações em tela, mas também por mostrar um Superman como todos gostaríamos de ter visto desde O Homem de Aço, por apresentar uma história simples e direta, sem inserções desnecessárias que só serviriam para inchá-la, pelo visual bacana dos Parademônios e pelas breves aparições de personagens como o Comissário Gordon, Mera, as Amazonas e um Lanterna Verde ainda não identificado. Por outro lado, também reconheço suas falhas (muitas das quais já havia notado em minha primeira ida ao cinema): tudo relacionado ao vilão Lobo das Estepes, seja seu visual ou suas motivações, a desastrosa remoção digital do bigode de Henry Cavill, os fraquíssimos efeitos de computação gráfica do terceiro ato do longa, a extrema simplificação do roteiro ao ponto de deixá-lo raso, além de seus furos ou conexões mal estabelecidas, e a trilha sonora abaixo do esperado, mesmo com o resgate de temas clássicos.

Mas independente de considerações e opiniões sobre o resultado final, o fato é que Liga da Justiça hoje deixa um gosto amargo na boca dos fãs. O principal supergrupo da DC merecia mais. Mais do que esse filme apresentou. Mais do que apenas 41% de aprovação no Rotten Tomatoes, nota 7,2 do público (que pode vir a cair a qualquer momento) e média 5,3 da crítica. Mais do que a provável menor arrecadação entre todos os filmes da franquia. E mais do que cortes, alterações de última hora e um mar de conflitos internos, conforme foi revelado recentemente.

OK, o longa é bom. Só que os maiores heróis de todos os tempos são dignos de algo muito além de apenas "bom". A adaptação da equipe para os cinemas deveria deixar todos embasbacados, em êxtase, provar-se um grande ponto de virada para o gênero, mudar a forma como filmes de super-heróis são vistos e feitos. Algo que, no mínimo, batesse de frente com o primeiro Vingadores (que infelizmente ainda segue sendo o filme definitivo de supergrupo) e mostrasse que o Universo Estendido da DC ajustou seus rumos e veio para ficar. Não aconteceu, Liga vem cada vez mais se mostrando um fracasso retumbante de crítica e público, colocando em risco ainda boa parte dos planos que o estúdio possui para esses personagens. E a sina de Batman vs Superman e Esquadrão Suicida se repete mais uma vez.

O mais frustrante, porém, é tomar conhecimento de todos os vazamentos sobre os bastidores da produção (os quais foram relatados com maestria pelo Terra Zero aqui, aqui e aqui). Cortes de momentos essenciais, alterações drásticas em cenas, brigas com Zack Snyder (que foi retirado a força) e Joss Whedon, interferências dos executivos do estúdio e decisões mesquinhas da diretoria afetaram muito do que vimos em tela, e o resultado poderia ter sido bem mais memorável se muitos pontos do plano original tivessem sido mantidos. Ver esse tipo de notícia só faz perceber quanto do potencial de Liga da Justiça foi jogado fora devido ao péssimo gerenciamento da Warner, que aparenta estar cada vez mais perdida em relação a suas propriedades intelectuais.

O fato é que meu texto Às vezes tenho vontade de desistir dos filmes da DC segue atual, mesmo após quase um ano. Apesar do sucesso de Mulher-Maravilha, todo o resto parece persistir. Geoff Johns aparentemente não conseguiu impor sua voz dentro do estúdio (apesar de algumas mudanças de tonalidade que claramente são resultado de sua visão) e os longas seguem à mercê da alta cúpula da companhia, ao ponto de cometerem a canalhice de usar a tragédia familiar de Zack Snyder como desculpa de afastá-lo em definitivo do projeto. A interferência também foi suficiente para irritar Joss Whedon, que mal chegou e já tem uma péssima relação com seus superiores. A situação é tão terrível que seria difícil até mesmo para o Superman, símbolo máximo de otimismo e esperança, enxergar alguma luz no fim do túnel para esse Universo, com todas essas confusões e resultados medíocres.

Enquanto isso, a concorrência está lá, faturando mais com Thor: Ragnarok, terceiro filme de um de seus heróis menos populares, já havendo emplacado outros dois sucessos em 2017 e se preparando para emplacar outros três no próximo ano, tendo inclusive lançado o avassalador trailer de um deles nos últimos dias, mostrando a tão esperada reunião de praticamente todos os seus personagens contra a ameaça definitiva de seu Universo. A gente tem mais é que aplaudir a Marvel mesmo e reconhecer sua superioridade nos cinemas, muito graças a seu impecável planejamento.

Seja qual for sua opinião sobre Liga da Justiça, o fato é que ele deveria não apenas ter sido melhor, como também ter tido bastidores melhores, uma receptividade melhor, uma arrecadação melhor. A Liga da Justiça merece mais. Bem mais. O jeito agora é olhar para o futuro, torcer para que Mulher-Maravilha não tenha sido apenas um ponto fora da curva e esperar que o filme do Aquaman atenda nossas expectativas e mostre que nem tudo está perdido para o Universo Estendido DC, especialmente em termos de rumo e identidade.

Mas, p*** que pariu, quando a gente depende do filme do AQUAMAN para qualquer coisa é porque f**eu mesmo...

AJUDE-NOS, AQUAMOMOA, VOCÊ É NOSSA ÚNICA ESPERANÇA!!!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

5 álbuns do primeiro semestre de 2017 que você deveria ter ouvido


O fim de 2017 chegou, e com ele inicia-se a temporada de listas de melhores do ano entre sites especializados, especialmente os de música. Boa parte dos principais veículos musicais do mundo já soltou suas escolhas, alternando entre grandes hits e álbuns que se destacaram por sua qualidade, mas não comercialmente. É, na humilde opinião deste que vos escreve, uma das melhores épocas para se ouvir música, dar chance para registros que acabaram passando despercebidos e conhecer novos artistas que podem vir a se tornarem as próximas sensações internacionais em um futuro próximo.

Postagens de melhores do ano já são tradicionais aqui no Ground Zero, e a lista definitiva deve sair em 18/12 (então marque em sua agenda). Em 2017, porém, eu ouvi bem mais material do que nas vezes anteriores, o suficiente para deixar de fora da seleção final e não torná-la muito extensa. Pensando nisso, resgatando uma ideia que tive lá em 2014 e cumprindo uma promessa que fiz no Balanço Musical de junho, decidi pegar 10 desses álbuns, dividi-los entre os lançamentos do primeiro e do segundo semestre e fazer listas em ordem alfabética de artistas, sem critérios de classificação.

Antes de mais nada, peço para que leiam minha postagem sobre o mais recente disco do Mastodon, Emperor of Sand, que iria entrar entre os escolhidos aqui, mas achei melhor tirá-lo e dar espaço para outro álbum do qual ainda não falei no blog, ao invés de me repetir sobre um que já tem uma resenha própria (a única de 2017, infelizmente, algo que pretendo melhorar para o vindouro ano). E quanto às escolhas, o primeiro semestre do ano foi bem prolífico e variado, algo que se comprovou na hora de selecionar os registros, devendo agradar bastante gente.

Confira, então, quais são os 5 álbuns da primeira metade de 2017 que você deveria ter ouvido:

GORILLAZ - "HUMANZ"


O aguardado retorno do Gorillaz se deu em 2017, em um álbum repleto de colaborações com artistas como De La Soul, Peven Everett, Grace Jones, Kali Uchis, do ator Ben Mendelsohn e até do antigo desafeto de Damon Albarn, Noel Gallagher. Com hits certeiros mesclados a músicas menos acessíveis, Humanz soa como uma grande festa, sendo uma audição divertida e pouco convencional, como basicamente todos os trabalhos do projeto.

LORDE - "MELODRAMA"


Há algo de fascinante nos trabalhos da cantora neozelandesa Lorde que captura e envolve o ouvinte, ao ponto de ter até cativado o saudoso David Bowie. Talvez uma espécie de beleza mórbida, ou um registro intimista, trabalhados em um formato acessível de música pop. Seja o que for, está potencializado ao máximo em Melodrama, um dos mais agradáveis registros do ano que veio para cravar a artistas como uma das melhores da atualidade.

PARAMORE - "AFTER LAUGHTER"


O som do Paramore já vem mostrando uma transformação há algum tempo, deixando de lado aquela rebeldia adolescente que lançou o grupo e trilhando caminhos mais maduros, aliados a um ritmo mais dançante. Essa metamorfose se completou com o lançamento de After Laughter, álbum que segue uma tendência observada em certos artistas nos últimos anos e resgata a sonoridade do pop oitentista e das bandas de New Wave, sendo muito divertido na maior parte do tempo, belo quando necessário e uma certeza de sucesso tanto para hoje ou para o caso de ter sido lançado 30 anos atrás.

RISE AGAINST - "WOLVES"


O quarteto estadunidense ganhou destaque nos últimos anos devido a seu Punk Rock recheado de críticas sociais,  momento em que seu país passou por uma grave crise e esteve diretamente envolvido nas guerras do Afeganistão e do Iraque. E embora Wolves não seja o mais forte dos trabalhos do grupo, ele é relevante o suficiente se considerarmos a situação em que o mundo se encontra hoje. E, como bônus, ainda mostra o Rise Against tentando algumas coisas diferentes e flertando com o Ska e o Rock Melódico.

ROYAL BLOOD - "HOW DID WE GET SO DARK?"


Um dos maiores fenômenos dos últimos cinco anos, a dupla inglesa surpreendeu o mundo com o lançamento de sua estreia em 2014, seja por sua inegável qualidade ou por sua combinação agressiva e pouco usual de baixo e bateria. Seu segundo disco, How Did We Get So Dark?, mostra o Royal Blood mais a vontade, com uma sonoridade mais acessível mas que ainda esbanja qualidade, deixando claro ser um dos nomes a se observar no futuro.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

BALANÇO MUSICAL - Novembro de 2017


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º.

Novembro foi repleto de altos e baixos, algo que teve reflexo na parte musical da minha vida, como é possível observar pelas escolhas que fiz para a playlist do mês. A variação entre álbuns de sonoridade mais leve com outros repletos de peso e agressividade foi uma constante no período (para ser sincero, é uma alternância que costumo fazer normalmente, mas não nessa frequência), que também foi marcado por uma leve inconstância em minha habitualidade de ouvir música (nada no mesmo nível de julho, porém). Ainda assim, foram 735 scrobbles em meu last.fm, um número considerável que conseguiu (por pouco) ultrapassar setembro.

Três álbuns presentes na lista merecem um enorme destaque: Who Built The Moon? do Noel Gallagher's High Flying Birds, Psychotic Symphony do supergrupo Sons of Apollo, e Carry Fire do lendário Robert Plant. Cada um deles possui suas peculiaridades, com o primeiro sendo o trabalho mais distinto da carreira do frontman do grupo, o segundo esbanjando toda a técnica e qualidade dos músicos envolvidos no projeto, e o terceiro por ser uma ótima mescla das principais influências do vocalista ao longo de sua carreira, tendo todos sido lançados nos últimos dois meses e já figurando como certezas para minha lista de melhores de 2017 (breve...). Outras boas novidades do ano que ganharam lugar na playlist são os hards MK II, do Vandenberg's Moonkings, e Part Human, Mostly Beast, do Honeymoon's Disease, além do mais recente trabalho do Beck, um dos principais nomes do Rock alternativo que resolveu apostar em uma vertente mais dançante em Colors.

Outra importante influência foram as faixas presentes na trilha sonora de Liga da Justiça. Não as orquestradas, compostas por Danny Elfman (que, sinceramente, deixaram a desejar), mas as que marcaram passagens importantes do longa, como a versão de Everybody Knows pela Sigrid, Icky Thump do White Stripes e o cover da clássica Come Together por Gary Clark Jr., em parceria com Junkie XL (o único resquício da participação do compositor nas músicas do filme). E os demais dispensam comentários, seja por já serem figuras carimbadas por aqui, ou porque nomes como INXS, Jeff Beck, Placebo, The Clash, Frank Sinatra e The Smashing Pumpkins não necessitam introduções. Merece ressalva, porém, a presença de For Those About To Rock (We Salute You) do AC/DC na lista, como uma singela homenagem a Malcolm Young, que veio a falecer no último dia 18.

Confira abaixo a playlist de novembro de 2017:

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

O trailer de "Vingadores: Guerra Infinita" é o início do fim de uma era


Pode não parecer, mas 2018 marcará 10 anos desde o lançamento de Homem de Ferro, longa que surpreendeu a todos por cumprir tão bem o papel de dar vida a um personagem relativamente desconhecido nas telas e por resgatar a carreira de Robert Downey Jr. Consequentemente, fará 10 anos do início do Universo Cinematográfico Marvel, que deu seu primeiro passo com aquela cena pós-créditos do Nick Fury de Samuel L. Jackson falando para Tony Stark sobre a Iniciativa Vingadores, mostrando que os planos da empresa eram muito mais ousados do que o esperado.

De lá para cá, as coisas nunca mais foram as mesmas. Até o momento, já foram lançados 17 filmes dentro da franquia, com mais três agendados para o próximo ano e outros três confirmados para 2019. Entre divisores de águas (como Os Vingadores e o citado Homem de Ferro), obras mais fracas (O Incrível Hulk e os dois primeiros Thor), gratas surpresas (os dois Guardiões da Galáxia, Capitão América: O Soldado Invernal e Thor: Ragnarok) e tristes decepções (Homem de Ferro 3 e Capitão América: Guerra Civil), esse universo foi abraçado por crítica e público, graças a sua acessibilidade e seu famoso senso de humor (os principais ingredientes do que veio a ser conhecido por "fórmula Marvel"), e hoje soma quase 13,5 bilhões de dólares em bilheteria ao redor do mundo.

Tudo chega a um fim, porém. Com atores envelhecendo e cobrando cada vez mais caro por suas participações, a Marvel Studios se prepara para substituir seus principais rostos por novos personagens, encerrando a primeira etapa de seu longo planejamento com Vingadores 4, a ser lançado em 2019. E o aguardado trailer de Vingadores: Guerra Infinita, divulgado na última quarta-feira (29/11), já começou a ditar essa despedida, tendo um tom de conclusão (especialmente pela fala de Tony Stark logo ao início) e passando uma sensação de perigo e urgência para seus protagonistas pouco vista até então.

O terceiro instalamento do supergrupo aparenta de fato ser a culminação de todos os esforços da produtora, finalmente mostrando Thanos cumprindo seu objetivo de juntar todas as Joias do Infinito em sua Manopla para dominar o universo, enquanto todos os heróis que nos foram apresentados nos longas anteriores se reúnem para combater esta ameaça definitiva. Mas ver isso se concretizando põe todo o admirável trabalho da Marvel nos cinemas sob uma nova perspectiva, seja sobre os filmes e seus resultados, sobre a história que foi construída ou sobre os personagens que acompanhamos de perto ao longo desses quase 10 anos nas telas, e que agora estão prestes a passar a tocha para uma nova geração. Em um sentimento semelhante ao encerramento da saga Harry Potter, este é o fim de uma era, e o lançamento desse trailer de Vingadores: Guerra Infinita marca o início deste desfecho.

O Universo Cinematográfico Marvel como conhecemos está prestes a acabar. Você está preparado para isso?

O primeiro poster de "Vingadores: Guerra Infinita", apostando no básico.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Resenha de UM parágrafo sobre "LIGA DA JUSTIÇA"!


A DC dá um novo passo em torno da consolidação de seu Universo Expandido com Liga da Justiça, um filme leve e aventuresco que faz jus às principais histórias grandiosas e épicas do supergrupo. Apesar de um vilão esquecível e efeitos especiais que nem sempre estão em seu melhor, a equipe demonstra ter muita química em tela, com seus intérpretes muito a vontade em cena. Simples e divertido, tem suas leves escorregadas, mas entretém o suficiente e mostra que a Editora das Lendas está cada vez mais encontrando o tom certo para seus personagens no cinema.

TRAILER:

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Captain America" #695, por Mark Waid e Chris Samnee - O herói que merecemos e precisamos


"O mais forte protege o mais fraco." Essas palavras são repetidas algumas vezes no decorrer de Captain America #695, escrita por Mark Waid e coescrita/desenhada por Chris Samnee, a primeira edição da iniciativa Marvel Legacy, que visa resgatar o tom clássico das aventuras protagonizadas pelos personagens da editora. Esse também é o princípio básico dos super-heróis desde a criação do gênero em 1938, com o lançamento de Action Comics #1 e a chegada de Superman, "o campeão dos oprimidos". Um valor simples, porém poderoso e importante, parece ter sido esquecido por muitos, tanto no mundo real quanto nos quadrinhos. E isso inclui o próprio Steve Rogers, que havia se revelado um membro da Hydra no período pós-Guerras Secretas (2015), uma mudança gritante nos valores do personagem que revoltou muitos fãs, mas que perdurou até os eventos da recente saga Império Secreto, na qual o grupo de vilões nazistas tomou o mundo com a ajuda do personagem, até que, no fim, o "verdadeiro" Capitão América retornou, derrotou essas forças do mal e salvou o mundo, que voltou a seu status quo anterior.

A missão da equipe criativa, portanto, não era nada fácil. Mas essa primeira edição (de número #695, respeitando a numeração original desde 1941) deixou clara o quão acertada foi sua escolha para o título. O premiado time formado por Waid e Samnee, após o sucesso absoluto em suas passagens pelo Demolidor e a Viúva Negra, inicia sua nova empreitada de uma forma poderosa, emocionante e que transmite uma mensagem mais atual do que nunca, condizente com o posicionamento político da dupla e que ressalta a importância do personagem (sempre tido como um "homem fora de seu tempo") para os dias de hoje, especialmente à luz de eventos recentes como a infeliz passeata neo-nazista em Charlottesville, cidade da Virginia, EUA.

A trama da revista é simples: dez anos atrás, o Capitão América salvou uma cidadezinha do ataque de um grupo de supremacistas que se autointitula Rampart (algo como muralha ou parede) e agora, após ter se libertado da armadilha que o manteve longe de nossa realidade, ele retorna até o local a paisana para um festival em sua homenagem. Dinâmica e repleta de ação, graças ao sempre belo traço de Chris Samnee, a história também tem espaço para o diálogo, onde reside sua maior força. Passagens inspiradoras nos fazem lembrar da relevância do herói e tudo o que ele significa, assim como do porquê ele fez tanta falta nesses últimos anos em que esteve mal-utilizado.

O que faz o Capitão América ser tão admirável, na voz dos próprios cidadãos.

Desde suas primeiras páginas, com o Capitão realizando o heroico ato de defender as crianças ao mesmo tempo que as ensina seus princípios, é possível sentir a presença e a força deste ícone, seja através de suas palavras ou de suas atitudes altruístas. O momento em que os próprios participantes do festival vão ao palco e dizem o que os faz admirar o herói também é emblemático, exemplificando seu impacto na vida do cidadão médio e como ele pode ser uma inspiração (tanto dentro quanto fora do Universo Marvel). E quanto as páginas finais... Todo o discurso de Steve sobre como cada um pode fazer sua parte junto com toda a celebração de sua figura é simplesmente lindo, além de uma aula de civilidade. Impossível não se comover.

Há quem diga que a história da humanidade é cíclica. Concorde ou discorde, esse paradigma parece também servir para os super-heróis: no que hoje parece um prenúncio para os tempos nebulosos que estavam por vir, a DC aproximou o Superman de sua abordagem mais clássica no último ano, fazendo-o ser, mais uma vez, o maior de todos. Agora foi a vez da Marvel de trazer seu principal escoteiro a suas origens, sendo o grande exemplo de heroísmo e cidadania em seu universo, e agora dizendo algo que há muito precisava ser dito, especialmente após os nefastos eventos recentes envolvendo extremistas, sejam eles na ficção ou na vida real. E embora Mark Waid tenha escrito que ninguém deve usar gibis como base moral no posfácio da edição, talvez este seja ao menos um bom ponto de partida, com seu Capitão América (apesar de ainda muito no começo) sendo aquele que merecemos e precisamos no momento.

"Bem-vindo de volta", como disse a garota ao fim da revista. E obrigado, Mark Waid e Chris Samnee, por serem capazes de trazer alguma luz a uma época tão sombria.