terça-feira, 14 de novembro de 2017

Resenha de UM parágrafo sobre "LIGA DA JUSTIÇA"!


A DC dá um novo passo em torno da consolidação de seu Universo Expandido com Liga da Justiça, um filme leve e aventuresco que faz jus às principais histórias grandiosas e épicas do supergrupo. Apesar de um vilão esquecível e efeitos especiais que nem sempre estão em seu melhor, a equipe demonstra ter muita química em tela, com seus intérpretes muito a vontade em cena. Simples e divertido, tem suas leves escorregadas, mas entretém o suficiente e mostra que a Editora das Lendas está cada vez mais encontrando o tom certo para seus personagens no cinema.

TRAILER:

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Captain America" #695, por Mark Waid e Chris Samnee - O herói que merecemos e precisamos


"O mais forte protege o mais fraco." Essas palavras são repetidas algumas vezes no decorrer de Captain America #695, escrita por Mark Waid e coescrita/desenhada por Chris Samnee, a primeira edição da iniciativa Marvel Legacy, que visa resgatar o tom clássico das aventuras protagonizadas pelos personagens da editora. Esse também é o princípio básico dos super-heróis desde a criação do gênero em 1938, com o lançamento de Action Comics #1 e a chegada de Superman, "o campeão dos oprimidos". Um valor simples, porém poderoso e importante, parece ter sido esquecido por muitos, tanto no mundo real quanto nos quadrinhos. E isso inclui o próprio Steve Rogers, que havia se revelado um membro da Hydra no período pós-Guerras Secretas (2015), uma mudança gritante nos valores do personagem que revoltou muitos fãs, mas que perdurou até os eventos da recente saga Império Secreto, na qual o grupo de vilões nazistas tomou o mundo com a ajuda do personagem, até que, no fim, o "verdadeiro" Capitão América retornou, derrotou essas forças do mal e salvou o mundo, que voltou a seu status quo anterior.

A missão da equipe criativa, portanto, não era nada fácil. Mas essa primeira edição (de número #695, respeitando a numeração original desde 1941) deixou clara o quão acertada foi sua escolha para o título. O premiado time formado por Waid e Samnee, após o sucesso absoluto em suas passagens pelo Demolidor e a Viúva Negra, inicia sua nova empreitada de uma forma poderosa, emocionante e que transmite uma mensagem mais atual do que nunca, condizente com o posicionamento político da dupla e que ressalta a importância do personagem (sempre tido como um "homem fora de seu tempo") para os dias de hoje, especialmente à luz de eventos recentes como a infeliz passeata neo-nazista em Charlottesville, cidade da Virginia, EUA.

A trama da revista é simples: dez anos atrás, o Capitão América salvou uma cidadezinha do ataque de um grupo de supremacistas que se autointitula Rampart (algo como muralha ou parede) e agora, após ter se libertado da armadilha que o manteve longe de nossa realidade, ele retorna até o local a paisana para um festival em sua homenagem. Dinâmica e repleta de ação, graças ao sempre belo traço de Chris Samnee, a história também tem espaço para o diálogo, onde reside sua maior força. Passagens inspiradoras nos fazem lembrar da relevância do herói e tudo o que ele significa, assim como do porquê ele fez tanta falta nesses últimos anos em que esteve mal-utilizado.

O que faz o Capitão América ser tão admirável, na voz dos próprios cidadãos.

Desde suas primeiras páginas, com o Capitão realizando o heroico ato de defender as crianças ao mesmo tempo que as ensina seus princípios, é possível sentir a presença e a força deste ícone, seja através de suas palavras ou de suas atitudes altruístas. O momento em que os próprios participantes do festival vão ao palco e dizem o que os faz admirar o herói também é emblemático, exemplificando seu impacto na vida do cidadão médio e como ele pode ser uma inspiração (tanto dentro quanto fora do Universo Marvel). E quanto as páginas finais... Todo o discurso de Steve sobre como cada um pode fazer sua parte junto com toda a celebração de sua figura é simplesmente lindo, além de uma aula de civilidade. Impossível não se comover.

Há quem diga que a história da humanidade é cíclica. Concorde ou discorde, esse paradigma parece também servir para os super-heróis: no que hoje parece um prenúncio para os tempos nebulosos que estavam por vir, a DC aproximou o Superman de sua abordagem mais clássica no último ano, fazendo-o ser, mais uma vez, o maior de todos. Agora foi a vez da Marvel de trazer seu principal escoteiro a suas origens, sendo o grande exemplo de heroísmo e cidadania em seu universo, e agora dizendo algo que há muito precisava ser dito, especialmente após os nefastos eventos recentes envolvendo extremistas, sejam eles na ficção ou na vida real. E embora Mark Waid tenha escrito que ninguém deve usar gibis como base moral no posfácio da edição, talvez este seja ao menos um bom ponto de partida, com seu Capitão América (apesar de ainda muito no começo) sendo aquele que merecemos e precisamos no momento.

"Bem-vindo de volta", como disse a garota ao fim da revista. E obrigado, Mark Waid e Chris Samnee, por serem capazes de trazer alguma luz a uma época tão sombria.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

BALANÇO MUSICAL - Outubro de 2017


Olá! Seja bem-vindo ao meu projeto Balanço Musical, uma coluna mensal na qual falo sobre música, o que escutei no mês que se passou, o porquê das escolhas, o que me influenciou nesses dias, e publico uma playlist com uma faixa referente a cada dia do período. O objetivo não é nada além de escrever um pouco mais sobre música no blog, apresentar algumas coisas diferentes e dar às pessoas a oportunidade de conhecer novos artistas e canções. As postagens são publicadas sempre no primeiro dia útil de cada mês, o que pode ou não coincidir com o dia 1º.

Fiquei impressionado com o resultado final de outubro: foi um mês em que ouvi música de forma despretensiosa e sem grandes exageros, mas que (talvez justamente devido a isso) se encerrou figurando no segundo lugar do ranking de scrobbles do meu last.fm, com 851 execuções, duas a mais que em agosto. 222 artistas e 488 faixas diferentes passaram pelos meus ouvidos durante os últimos 31 dias, período este embalado por velhos conhecidos, gratas descobertas e alguns lançamentos essenciais.

Praticamente iniciado com a triste notícia da morte de Tom Petty (e por isso Running Down a Dream), o mês teve um grande predomínio de The Wings, The Beatles e Paul McCartney (muito graças a seu show no último dia 15 e toda a preparação que tive para ficar afiado quanto ao possível setlist) e das trilhas sonoras de Blade Runner e sua recente sequência, Blade Runner 2049. Mas também foi quando tive contato com três dos melhores lançamentos de 2017: As You Were do ex-Oasis Liam Gallagher, Amber Galactic do The Night Flight Orchestra, e The Sin and The Sentence do Trivium. Entra nessa equação ainda o recente EP do Mastodon, Cold Dark Place, tão bom quanto (ou talvez até melhor que) o último registro completo de inéditas do quarteto.

Cabe destaque também para a presença de Blind Guardian e Oasis na lista, com duas músicas que se encontravam fora do catálogo do Spotify há tempos, bem como para as pontuadas inclusões de The Spirit Carries On do Dream Theater, Sympathy For The Devil dos Rolling Stones, Grandmaster Jam Session da trilha sonora de Thor: Ragnarok, e Halloween do Helloween em datas específicas (as duas primeiras sendo, respectivamente, o aniversário de Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory e o lançamento da segunda temporada de Stranger Things - estava em uma playlist da série -, enquanto as últimas são autoexplicativas). E ainda houve espaço para alguns velhos nomes do Balanço Musical, como Stone Sour, Iced Earth e Tears For Fears, bem como para algumas faixas que apareceram em meu Descobertas da Semana, muito embora eu já as conhecesse.

Confira a playlist de outubro de 2017:

domingo, 29 de outubro de 2017

Resenha de UM parágrafo sobre "THOR: RAGNAROK!"


No centenário de Jack Kirby, a Marvel Studios lança uma das produções que mais faz uso de sua identidade visual ímpar. Thor: Ragnarok é uma epopeia espaço-mitológica cheia de personalidade, seja em sua bela e colorida fotografia, em suas cenas de ação estilizadas ou no senso de humor característico do diretor Taika Waititi, que traz a tona o melhor dos atores, especialmente de Chris Hemsworth. Isso não ofusca, porém, os momentos mais dramáticos e épicos que, aliados à trilha sonora de Mark Mothersbaugh (líder do clássico grupo DEVO), transformam o longa naquilo em que ele se propôs desde o início: uma grande aventura repleta de escapismo, sendo provavelmente o filme de super-herói mais divertido do ano.

TRAILER:

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

"Os Novos Mutantes", ou como a Fox está (de novo) revitalizando o gênero de super-heróis


Há pouco mais de 17 anos, um dos mais importantes filmes de super-heróis começava a chegar às salas de cinema de todo mundo: X-Men: O Filme. Lançado na segunda metade de 2000, o longa marcava o início de uma nova era para um gênero que vinha combalido após ser acometido com repetidas tentativas falhas de adaptações, como Superman III (1983), Supergirl (1984), Superman IV: Em Busca da Paz (1987), Batman Eternamente (1995) e Batman & Robin (1997), e isso apenas citando as grandes produções hollywoodianas. A primeira aventura dos mutantes da Marvel sob a batuta da Fox e a direção de Bryan Singer mostrou que era possível trabalhar com personagens dos quadrinhos de uma forma mais madura, sóbria (ainda que isso os tenha custado as cores de seus uniformes) e ainda assim acessível, lidando com temas pertinentes e se afastando do mero escapismo. Apesar de não ter envelhecido tão bem quanto o esperado, é injusto não reconhecer sua influência para o que veio em seguida (Homem-Aranha do Sam Raimi, Batman do Christopher Nolan e todo o Universo Cinematográfico Marvel).

Após a boa recepção com esse primeiro X-Men e sua sequência, X-Men 2, o estúdio falhou em replicar sua fórmula de sucesso com outros heróis, sendo responsável pelas esquecíveis adaptações do Demolidor, Elektra, Quarteto Fantástico e Motoqueiro Fantasma. Mesmo sua franquia de maior sucesso acabou saindo fora de controle, com X-Men 3: O Confronto Final tendo dividido os fãs e o spin-off X-Men Origens: Wolverine sendo considerado abaixo do esperado. Foi só através de X-Men: Primeira Classe que a Fox conseguiu se reencontrar, tendo lançado, na sequência, o bom Wolverine: Imortal e o ótimo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (embora tenham cometido o tenebroso Quarteto Fantástico de 2015 pouco depois).

Esse período de estabilidade foi essencial para que a produtora pudesse tomar coragem para investir em um projeto da forma que ele deveria ser: Deadpool (muito, claro, graças à insistência de Ryan Reynolds e da reação dos fãs após tomarem conhecimento do curta-teste da produção). Um dos grandes sucessos de crítica e público, o longa em muito se beneficiou de se afastar do filme padrão de super-herói (apesar de ainda manter alguns dos clichês do gênero) e abraçar sua vocação como uma comédia adulta, fazendo bom uso de sua classificação para maiores de 16 anos e apresentando uma boa dose de violência, palavrões e piadas sujas. E essa adaptação, por sua vez, fomentou o caminho para um dos filmes mais aclamados de 2017: Logan, que também foi feito para o público adulto, abraça a violência e o linguajar hostil, mas que é, em sua essência, um grandioso faroeste moderno, novamente fugindo do básico e passando ainda por temas como legado, família e paternidade.

Seguindo sua própria tendência, a Fox prepara para o próximo ano o lançamento de Os Novos Mutantes, derivado dos X-Men focado em estudantes do Instituto Xavier que não tiveram espaço na equipe principal. A aposta, dessa vez, é investir no terror, resgatando alguns elementos menos explorados das primeiras HQs do grupo e se aprofundando neles, deixando, novamente, os ares super-heroicos de lado. Com uma prévia bastante promissora, pode ser a prova cabal da revitalização de um gênero que, para muitos, já começava a dar sinais de desgaste caso dê certo, e aponte a direção a ser seguida em adaptações futuras: a de mesclar outros estilos a suas histórias e aproveitar ao máximo o potencial de seus personagens. Curioso, porém, isso vir dos mesmos que deram o pontapé inicial a toda uma tendência em 2000, e que agora se vem com a oportunidade fazer história mais uma vez.

Você pode conferir o trailer de Os Novos Mutantes abaixo: